Trabalho e Família

Há um movimento crescente na Europa nos dias de hoje, em que as nações estão incentivando as pessoas a ter um melhor equilíbrio entre profissão e família, de maneira que isso reflita positivamente nos resultados empresariais e ao mesmo tempo na satisfação pessoal e na felicidade da pessoa. Em alguns países inclusive, esse movimento vem acompanhado de uma necessidade de se voltar a ter níveis de natalidade aceitáveis. Hoje ela anda em baixa em muitos centros urbanos do Velho Mundo.

Embora seja ainda um país relativamente jovem e de jovens, o Brasil também já vem experimentando essa tendência. Ainda que timidamente. Enquanto lá fora empresas e instituições estudam formas de mesclar família e trabalho, aqui os programas ainda estão concentrados no setor privado e muitos em fase embrionária.

Já vi, por exemplo, programas onde o setor de recursos humanos coordena equipe de psicólogos que acompanham famílias, dando suporte em assuntos de difícil resolução. Há ainda, programas como o ‘berçário corporativo’, onde mães podem sair para amamentar seus bebês em uma creche dentro da própria organização.

Porém, o que precisamos mesmo é focar no tempo que dedicamos a profissão, ao trabalho. Por experiência própria, posso dizer que se eu pudesse fazer algo para mudar a minha carreira que construi ao longo de décadas, mudaria exatamente o tempo extra que dediquei ao trabalho, deixando muitas vezes de lado esposa e filhos. Quando trabalhei em uma multinacional, foquei demasiadamente nos resultados, enquanto minha família tocava suas atividades quase sempre sem a minha presença. Hoje me arrependo, pois sei que a história poderia ser desenhada de outra forma e muitos conflitos poderiam ser evitados.

Mas qual seria a melhor saída? A primeira delas é colocar a família sempre em primeiro lugar. Veja, não que o trabalho não seja importante em nossas vidas, ele é imprescindível. Haverá momentos os quais você precisará dedicar-se um maior tempo a ele, mas isso não pode ser a regra.

Por isso, temos que focar sempre em sermos bastante produtivos e buscar meios inteligentes e criativos de entregar os resultados esperados. Saber delegar, confiar na equipe entre outras estratégias devem compor sua rotinha de trabalho. Não assumir projetos os quais você sabe que humanamente é impossível fazer em um curto espaço de tempo. Também não demandar pessoas ou fornecedores, para projetos que você mesmo sabe que não daria para fazer em tempo recorde. Ou seja, é preciso ser melhor organizado, profissional e ter um bom grau de sensatez no dia a dia.

Mas como eu sei se estou trabalhando o suficiente ou a mais do que seria adequado? Uma das maneiras que indico é montar um quadro com a quantidade de tempo que você está dedicando para cada dimensão da sua vida. Tente buscar o equilíbrio entre os números.

Se a sua dedicação para o trabalho supera 1/3, da sua vida, então é preciso parar para repensar. Quanto está dedicando para a família, para a sua vida pessoal, para a sua saúde? Tudo isso faz parte de você e não caminham isolados.

Então busque esse equilíbrio. Quando alcançado, você perceberá que continua sendo um ótimo profissional, um bom integrante da família, uma pessoa que cuida bem de sua saúde, valoriza seus amigos e tem um tempo ainda para dedicar-se as atividades extras que lhe fazem se sentir mais humano. Certamente isso lhe fará uma pessoa ainda mais feliz, pode apostar!
Fonte: De Bernt