‘Item de fábrica’: todos nascemos com algum talento

Por definição podemos dizer que “Talento é quando uma pessoa consegue fazer algo acima da média, diferenciar-se de outras pessoas do mercado e ao mesmo tempo trazer resultados para a organização e para sua própria carreira com os recursos disponíveis”.

Mas quem são as pessoas talentosas em nossas empresas? Todas! Não conheço ninguém que não tenha nascido com aptidão ou talento para algo. Isso faz parte da natureza, nascemos destinados a desenvolver uma certa atividade com maestria, destinados a entregar bons resultados.

Mas então por que tantas empresas ainda entendem o talento como algo extraordinário, como se fosse algo para poucos? A resposta é: muitas delas ainda não se deram conta da importância de montar um programa voltado a descobrir o talento dos colaboradores – e isso começa ainda lá na identificação de perfil dos colaboradores que são selecionados para atuar na companhia. Segundo, geralmente essas corporações não têm programas de incentivo para que as pessoas identifiquem o seu próprio talento e, ainda, não otimizam o talento quando identificado, colocando profissionais errados em lugares equivocados.

Não à toa, hoje, muitas organizações mais antenadas deixaram o setor de Recursos Humanos assumir uma posição estratégica em relação a esse tema, pois o RH depende dos trabalhadores para atingir os seus objetivos e cumprir suas metas. Sob outra ótica, os colaboradores enxergam as organizações como meio para alcançar os seus propósitos pessoais e profissionais. O RH surge como a ponte necessária entre esses dois extremos e, por meio da gestão de talentos, pode desenvolver um trabalho ímpar.

A gestão de talentos não é um conceito que pode ser esvaziado, simplesmente comparado a um pacote de benefícios ou a criação de um programa de incentivos. Esta iniciativa precisa ser entendida como estratégia integrada com o planejamento estratégico da empresa, que serve para contratar, capacitar e reter colaboradores com bom desempenho. Ter uma equipe produtiva permite obter os melhores resultados para o negócio. Por isso, faz parte da gestão de talentos a implementação de ações que promovam o desenvolvimento profissional, a avaliação constante, o reconhecimento e os meios para que os trabalhadores consigam crescer em suas carreiras. Como argumento, para que os demais gestores da sua organização consigam compreender a dimensão desse tema, mostre para eles os custos que envolvem as demissões e contratações de funcionários. Faça-os refletirem sobre como essa quantia poderia ser investida, por exemplo, em melhorias no processo produtivo. Por incrível que possa parecer, falta ‘talento’ para identificar pessoas talentosas no nível de gestão.

Mas como mudar essa realidade? Ofereça um plano de carreira para atrair e reter um bom profissional. A sua empresa deve oferecer meios para que o colaborador invista no próprio desenvolvimento e, de preferência, dentro dela. Estimule a autonomia entre os profissionais. A cultura organizacional precisa ser revista e também ofertar mais autonomia para que os profissionais desenvolvam os próprios projetos e possam apresentá-los para os seus respectivos gestores.

A comunicação horizontal, nesse sentido, também pode ser eficaz. Envolva os colaboradores nos processos de decisão. Da mesma maneira que os gestores devem ser orientados para fornecer feedbacks constantemente, eles precisam ficar atentos ao que os colaboradores têm a dizer. Escute suas sugestões e críticas com atenção. Reconheça os verdadeiros talentos. O colaborador que dá o seu melhor não está simplesmente fazendo uma obrigação. Trata-se de um esforço que precisa ser reconhecido, seja por um e-mail de agradecimento ou o reconhecimento público, diante dos colegas.

Melhore o clima organizacional. Estimule a prática de atividades em conjunto, promova a troca de conhecimentos e disponibilize áreas de lazer. As pessoas devem sentir orgulho e prazer em trabalhar na sua organização. Crie um plano de incentivos. Estabeleça uma meta alinhada com os objetivos da empresa para premiar aqueles colaboradores que consigam atingi-la. Os planos de incentivo funcionam como estímulo para a alta produtividade. Diferencie-se por meio dos benefícios. Faça um levantamento dos principais benefícios oferecidos no mercado e observe o posicionamento da sua empresa em relação às demais. Diferencie-se por meio deles, oferecendo aqueles que são desejados pelos profissionais.

Se o talento é algo que todos nós trazemos como um ‘item de fábrica’, seria no mínimo inteligente incentivá-lo, para que todos nós possamos praticá-lo em nosso dia a dia. Faça esse exercício de busca em sua equipe e verá que os resultados serão espetaculares!
Fonte: De Bernt