Economia pouco inteligente

Parece que falar de crise no Brasil se tornou algo redundante nos últimos anos. Passam períodos, viram os anos e as empresas convivem diariamente com o desafio de fazer cortes e mais cortes em suas estruturas. A sensação que se tem é de que “um dia vão cortar tudo, inclusive a empresa”. Mas não é bem assim. Sabe-se que é possível cortar muita coisa dentro das estruturas, sem precisar rachá-las. Mas a questão está onde se pode reduzir sem prejudicar o dia a dia de trabalho, o ambiente corporativo e a qualidade do serviço ou produto a ser entregue.

Geralmente os ajustes internos são realizados pelas empresas em três frentes: pessoal, estrutural e benefícios (aquele, algo a mais) para o colaborador.

Antes de implantar um plano de cortes é necessário tentar medir o impacto e trabalhar com os possíveis cenários. Se a decisão for por reduzir o quadro pessoal, por exemplo, é preciso montar um plano de comunicação interna estruturado para informar muito bem a quem permanece na organização deixando claro sobre como serão feitas a gestão e as atividades a partir daquela ação. É preciso ainda dar justificativas plausíveis as quais levaram a companhia a tal medida. Pessoas bem informadas tendem a ficar menos ansiosas e reclamar menos pelos corredores.

O mesmo vale para quando se optar por cortar programas de gestão, qualidade de vida, como por exemplo a Ginástica Laboral. É preciso deixar claro que aquele benefício não está cabendo no bolso da empresa e por isso se está optando por deixa-lo de lado. Consequentemente, se a mudança for por estrutura física mais compacta e menos onerosa, vale a mesma conversa.

Porém, o que vemos muitas vezes nas companhias são economias pouco inteligentes. Muitas vezes se cortam funções que pouco vão agregar no resultado final financeiro e darão um baita rombo no momento da prestação do serviço. Por isso, é muito importante, antes de tomar a decisão, saber para onde e para quem será jogado aquela função e quais os benefícios financeiros se terá ao longo do tempo. Se essa análise não ocorrer, a economia pode ser pífia e as consequências bastante negativas para a empresa.

Se a decisão for por mudar uma estrutura física, de nada vale colocar a empresa em um lugar onde o deslocamento será imenso, ou em se tratando de comércios por exemplo, o cliente não venha a se sentir atraído A dica que dou é: tenha cautela, ousar, mas sem jamais deixar de saber para onde seus passos irão direcioná-lo.

Cortar é importante por vezes. Porém, cortar sem saber o motivo, torna-se uma medida vazia e pouto inteligente. Pense nisso!

Fonte: De Bernt