A difícil decisão de morar e trabalhar fora do país

Inúmeros profissionais que atuam em multinacionais passam por uma difícil fase da carreia –  a de tomar uma decisão de aceitar ou não um convite para trabalhar no exterior.

Para quem olha de fora, essa seria a oportunidade dos sonhos para muita gente. Mas, não se pode ceder as seduções que essa proposta profissional muitas vezes carrega consigo. Como todas as outras oportunidades na carreira de um indivíduo, ela requer análise e uma decisão madura, necessitando um olhar profundo dos prós e contras e mais do que isso: como essa fase profissional no exterior poderá agregar a carreira, vivência e financeiramente falando.

Julgo como difícil a decisão de aceitar um eventual convite porque essas oportunidades geralmente envolvem inúmeras variáveis. Todo aquele que se submete a uma vaga no exterior terá que enfrentar a tarefa de lidar com uma nova cultura, língua, alimentação… Vai ter que aprender a gostar ainda mais de si mesmo, aprender a se virar sozinho.

Posso afirmar ainda que a balança pesa mesmo é para o lado emocional. Nós brasileiros, somos mais sentimentais, temos um apego a família e amigos e isso conta muito. Alguns anos atrás eu recebi esse convite oriundo de uma multinacional. Digo que naquela ocasião a decisão não foi somente minha. Na época,  eu já tinha minha família constituída e achei justo consulta-los antes de dar a resposta final a companhia.

Ao levar a proposta para o ‘conselho familiar’, eu mesmo me surpreendi, pois todos, naquela momento não gostariam de mudar de país e também não gostariam que eu o fosse sozinho. Mediante a isso, e a outros pontos,  refutei a oportunidade.

Cito esse exemplo porque quero destacar que o ‘momento de vida’ e de carreira precisam ser levados em consideração antes de uma resposta final. Outro ponto que procuro orientar as pessoas quando procurado é para sempre pedir para a empresa dar a ela o tempo que deseja que se permaneça no exterior. Não feche uma proposta somente com a passagem de ida. Essa indefinição vivida não vai lhe deixar confortável durante sua vivência no exterior.

Ainda, se a decisão for levar a família, lembre-se que em muitos casos, a rotina dos profissionais que atuam lá fora é regada a viagens constantes. Então, os membros terão que estar cientes que sua presença também não será tão próxima – e certamente haverá essa necessidade de proximidade.

Por outro lado, muitos desses profissionais que optam pela vaga, recebem de 30 a 45 dias de férias. Ao organizar esse período, evite retornar para o país, prefira outros destinos. Essa vinda de tempos em tempos só fará a sua saudade aumentar, podendo minar sua permanência restante lá fora.

Analisados todos esses pontos, aí sim faça o balanço da parte positiva desta oportunidade, a começar pela celebração deste convite, poucas pessoas têm esse privilégio. Se a sua opção for pelo sim, enumere todos os benefícios que você poderá colher, certamente serão muitos. Ao retornar para sua Pátria, após um período no exterior, certamente você estará ainda mais maduro e apto para assumir inúmeros outros desafios.

Fonte: De Bernt